← Hakone guide

FIQUE UMA NOITE

Onsen & Ryokan: Como Passar a Noite em Hakone

Hakone recompensa quem fica para dormir — um quarto com tatami, um banho aquecido pelas águas do rio e um longo jantar kaiseki. Eis o que é um ryokan e como aproveitá-lo ao máximo.

Check dates and availability ↗

Porque ficar para a noite

A maioria das pessoas visita Hakone num dia, e funciona. Mas Hakone foi uma estância termal durante quatro séculos antes de se tornar destino de excursão de um dia, e ficar para dormir é uma experiência diferente, não apenas mais longa. O último teleférico desce ao fim da tarde e as multidões dos autocarros regressam a Tóquio, deixando a caldeira em silêncio; o banho que reservou às quatro da tarde parece um lugar diferente às nove da noite, com o vapor a subir para o ar frio. Uma noite também resolve o problema central do circuito — tudo o que vale a pena ver está espalhado pela orla e é percorrido a correr num único dia. Divida-o em duas meias-jornadas com um ryokan no meio, e Hakone deixa de ser uma lista de verificação. Afinal, a fonte termal é a razão de existir da vila, e uma visita de um dia só permite molhar a ponta do pé.

O que é realmente um ryokan

Um ryokan é uma estalagem tradicional japonesa, e o quarto é a primeira surpresa para quem espera um hotel. Tira-se os sapatos à entrada, o chão é de tatami e, normalmente, não há cama à vista quando se chega — cadeiras baixas à volta de uma mesa, um pergaminho no nicho, uma vista para o jardim ou para o vale. Enquanto janta, a equipa estende um futon sobre o tatami e volta a dobrá-lo de manhã. Receberá um yukata, um roupão leve de algodão, e em Hakone é perfeitamente normal usá-lo ao jantar, nos banhos e pela estalagem. O serviço é atento de uma forma discreta e antecipatória, não intrusiva. Todo o ambiente é pensado para o abrandar, que é exatamente o que precisa depois de um dia com cinco modos de transporte.

O jantar é metade do motivo

Num bom ryokan, o jantar não é um complemento, mas uma grande parte daquilo por que paga, e normalmente é kaiseki — uma refeição longa de vários pratos, construída à volta do que é sazonal e local, servida prato a prato numa sala de jantar ou, em algumas estalagens, no próprio quarto. Espere pratos pequenos e precisos que chegam numa ordem deliberada: algo estufado, algo grelhado, sashimi, uma panela quente, arroz e pickles no final. O pequeno-almoço da manhã seguinte é muitas vezes um banquete completo por si só, ao estilo japonês, com peixe grelhado, arroz e miso, embora muitos locais ofereçam agora uma opção ocidental. Se tiver restrições alimentares, avise a estalagem na reserva, não na noite — o kaiseki é planeado com antecedência à volta do hóspede, e um pedido de última hora é genuinamente difícil de acomodar.

Os banhos e como usá-los

O banho é onde a geologia se torna prazer. Os ryokan aproveitam as fontes termais de Hakone e apresentam-nas de várias formas: um banho interior grande (uchiyu), um ao ar livre (rotenburo) virado para o jardim ou para o desfiladeiro, e muitas vezes um banho privado que pode reservar. A etiqueta é simples e inegociável — lave-se e enxague-se bem nos chuveiros com assento primeiro, porque a água do banho é partilhada e ninguém entra sujo; mantenha o cabelo comprido e a toalha pequena fora da água; mergulhe em silêncio. A nudez nos banhos separados por género é normal e não chama atenção. O maior luxo que algumas estalagens oferecem é um banho privado ao ar livre anexado ao próprio quarto, alimentado pela nascente, onde pode entrar a qualquer hora sem ninguém por perto. Se é essa a viagem que quer, reserve especificamente um quarto com rotenburo próprio — esgotam primeiro.

A questão das tatuagens e como contorná-la

Isto apanha muitos visitantes desprevenidos. Muitos onsen japoneses e alguns ryokan ainda recusam hóspedes com tatuagens visíveis, uma herança da antiga associação ao crime organizado, e embora as atitudes estejam lentamente a mudar, a regra é real e aplicada. Hakone é melhor do que a maioria. O Tenzan Onsen, uma casa de banhos bem conhecida, admite hóspedes tatuados nos seus banhos interiores e exteriores, e ryokan como o Gōra Kansuiro, Yama no Chaya e Ajisai Onsen Ryokan já os receberam — mas as políticas variam, têm condições e mudam, por isso confirme diretamente antes de aparecer, em vez de assumir. A solução universal é o kashikiri buro, um banho privado reservado por um período fixo, normalmente de 40 a 60 minutos: como ninguém mais partilha a água, a questão das tatuagens simplesmente não se coloca, e é uma forma adorável e sem pressa de tomar banho, independentemente de tudo.

Onde ficar

Hakone não é um lugar único, mas um conjunto de aldeias espalhadas à volta da caldeira, e onde fica molda a estadia. Hakone-Yumoto, no sopé da linha Tozan, é o mais conveniente e o mais movimentado — pousadas ao longo do desfiladeiro do rio Sukumo, fáceis para uma curta viagem. Miyanoshita, mais acima, guarda a grande história do resort antigo e o seu hotel histórico emblemático. Gōra e Kowakudani ficam mais altos e mais verdes, perto dos museus e do teleférico. Sengokuhara, em direção ao planalto de capim-dos-pampas, é mais tranquilo e mais disperso, bom se quiser um refúgio em vez de conveniência. Não há uma resposta única certa: escolha Yumoto pela facilidade, as aldeias superiores pela paisagem e pelos banhos, e Sengokuhara pela calma. Qualquer que escolha, o ryokan em si importa mais do que o código postal — a água e o jantar são o que o trouxe até aqui.

Check dates and availability ↗
Check dates and availability